Bienal levou 250 mil pessoas ao Expominas

A Segunda Bienal do Livro de Minas, que terminou ontem no Expominas, já está consolidada, segundo José Alencar Mayrink, presidente da Câmara Mineira do Livro (CML), como um dos maiores eventos culturais do estado. “Tivemos 40% a mais de área física ocupada do que na primeira versão; também o numero de expositores aumentou muito e as vendas foram boas, com centenas de títulos em oferta. Em relação ao público, nos dias de semana foi um pouco abaixo das expectativas, mas aos sábados e domingos cresceu muito. Ontem, por exemplo, milhares de pessoas passaram pelos estandes da bienal. As escolas, com estudantes de Belo Horizonte e das cidades vizinhas, compareceram em grande número”, disse.
Promovida pela Câmara Mineira do Livro, em parceria com a Fagga Eventos, que também coordena as bienais do Rio, São Paulo e Curitiba, nessa versão da bienal mineira, a feira, segundo Tatiana Zaccaro, gerente de eventos da Fagga, recebeu investimentos de R$ 3,6 milhões, 25% a mais do que em 2008. De acordo com o balanço oficial, disponibilizado pelos organizadores, cerca de 250 mil pessoas estiveram no Expominas de 14 de maio até ontem. Também cresceu a visitação escolar, com cerca de 46 mil estudantes, contra os 28 mil da primeira bienal. O número de livros vendidos também foi recorde. E a estimativa é de que feche o caixa com faturamento de R$ 10,5 milhões. O volume de livros comprados por visitante também cresceu, passando de três para quatro unidades por pessoa, segundo ficou constatado numa pesquisa realizada até sábado, com 300 pessoas. De acordo com a CML, foram vendidos cerca de 700 mil livros, 36% a mais do que na primeira versão da bienal.
Pesquisas realizadas pela Câmara Mineira do Livro indicam que cerca de 95% dos visitantes acharam que valeu a pena ter prestigiado a bienal. E, desse total, 91% pretendem voltar em 2012. “Outro ponto a se destacar é a parceria que fizemos com a Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, que destinou R$ 1,086 milhão para a compra de livros para 25 mil alunos, mil professores e 956 diretores de escolas. As editoras prestigiaram, comparecendo em massa”, disse José Alencar Mayrink. Para Andréa Repsold, vice-presidente da Fagga Eventos, o salto foi muito positivo. “Tivemos muitas sessões concorridas, filas para as senhas e a capacidade dos espaços completamente preenchida na maioria das sessões.” Guiomar de Grammont, curadora da bienal, disse que praticamente todas as sessões estiveram lotadas, sobretudo nos fins de semana. “Notamos que o interesse do público cresceu muito, pois as pessoas compareceram, participaram, trouxeram seus filhos. Também observamos, com alegria, que os autores convidados, de Minas e de outros estados, tiveram prazer em participar”, disse.

Crescimento
Como da primeira vez, além do Circo das letras, que teve programação voltada para a garotada, com oficinas, música, peças de teatro e contação de histórias, dois dos maiores sucessos da bienal foram no Arena jovem e no Café literário, nos quais estiveram nomes de peso da literatura brasileira, como o escritor e psicanalista Rubem Alves e o romancista Moacyr Scliar, da Academia Brasileira de Letras. “Um evento desse porte chama a atenção para a literatura, ajuda a incutir nos jovens o gosto pela leitura e abre para debates sobre os mais diversos temas”, disse Scliar, que esteve em mesa concorrida, com mediação da professora Guiomar de Grammont.
Já a agente literária Lúcia Riff, que participou de debate com o chargista Chico Marinho e a professora Heloísa Buarque de Holanda sobre “Literatura digital e e-books: transformações no mundo dos livros”, disse ter ficado impressionada com o interesse dos mineiros por esse assunto, que ainda suscita muitas dúvidas e pede muitas respostas. Também a escritora mineira Christiane Tassis, que esteve no Café literário, achou muito boa sua participação, junto com os escritores Francisco Bosco e Manoela Sawitsky, “Tinha muita gente e pudemos trocar ideias, como ocorreu em outros encontros na bienal.”

Autor: Carlos Herculano Lopes – EM Cultura