Entrevistas

Rio de Janeiro festeja o Projeto Fênix

Mais de 130 profissionais do setor livreiro aplaudiram de pé a 3ª edição do Projeto Fênix, realizada no dia 25 de julho. Confira abaixo os depoimentos de seis participantes desse evento, clicando em seus respectivos nomes.

Participante Empresa
Leonardo Barbosa Pinto Emergir Livros (associado ABDL RJ)
Leonardo Fontes Egito Vendedor autônomo
Luciano Oliveira Leal Vendedor autônomo
Lucilene Manhães Gonçalves Emergir Livros (associado ABDL RJ)
Simone da Silva Souza Emergir Livros (associado ABDL RJ)
Rustein Diego Real Livros (associado ABDL de Caruaru/PE)

Confira o testemunho de alguns associados presentes no 15º Salão de Negócios da ABDL

Confira aqui o vídeo completo


Presidente da ABDL explica a realidade do livro no Brasil

Dados do Fórum Mundial de Cidades Culturais revelaram que Buenos Aires possui 734 livrarias, enquanto São Paulo e Rio de Janeiro, juntas, têm apenas 686. A situação torna-se ainda mais constrangedora quando comparamos o número de estabelecimentos de empréstimo de livros nessas cidades. São Paulo e Rio de Janeiro têm uma biblioteca pública para cada 100 mil habitantes e a capital da Argentina conta com um ponto de empréstimo para cada 33 mil moradores.

Leandro Carvalho, presidente da ABDL, em entrevista à Rádio Jovem Pan, apresentou alguns dados sobre os hábitos de leitura do brasileiro e analisou a situação atual do Brasil.

Confira aqui a entrevista na íntegra.


Mercado de venda de livros porta a porta é destaque na TV Record

Clique aqui e veja a reportagem sobre o Porta a Porta que foi destaque na TV Record.


Reportagem porta a porta na Record

Clique aqui e veja a reportagem sobre o Porta a Porta que aconteceu no programa “Record Notícia”.


Atrás do leitor que ninguém vê

Longe do charme das livrarias e do glamour dos grandes nomes da literatura e dos lançamentos patrocinados pelas vistosas editoras de obras gerais, sobrevive e ganha terreno no mercado editorial um tipo quase invisível, que muitos consideravam quase desaparecido em tempos de modernidade. Mas, não. Ao contrário do que supõe o senso comum, esse profissional não só conquista espaço como já responde pelos números mais espantosos da expansão do negócio do livro no Brasil. Os vendedores de livros porta a porta já são mais de 30 mil pelo país afora. E têm um papel significativo para fazer crescer o número de leitores e a quantidade de livros lidos por ano no Brasil, afirma o presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Luis Antônio Torelli, em entrevista exclusiva para agência de notícias Brasil Que Lê, publicada em primeira mão pelo Blog.

Que avaliação a ABDL faz do atual momento pelo qual passam as políticas públicas do livro e leitura no Brasil?
Felizmente, estamos assistindo a uma forte mobilização em torno deste assunto. De um lado, observamos um grande avanço neste Governo quanto às políticas do livro de forma geral. Do outro, a iniciativa privada que, cada vez mais, participa ativamente dos debates, através de suas entidades mais representativas, sugerindo e propondo ações que venham contribuir para a formação de mais leitores. Embora com muito atraso, o país desperta hoje para a solução de um de seus mais graves problemas que é o baixíssimo índice de leitura por habitante. Afonso Romano de Sant’Anna afirma, com muita propriedade, que “leitura é tão importante que deveria ser considerado assunto de segurança nacional”.

Que tipo de papel os vendedores de livros porta a porta acreditam que podem desempenhar nesse cenário?
A própria forma de trabalho, a dedicação e a incrível capacidade para acessar futuros leitores é o ponto forte do vendedor porta a porta. Nenhum outro segmento consegue atingir de forma tão efetiva a imensa população de não leitores espalhados por todo o País. Sabemos que a grande maioria dos que compram livros de vendedores porta a porta não são leitores habituais de livros. Um fato curioso e muito importante é que, em geral, essas pessoas não tinham a menor intenção de adquirir livros até serem motivados pelo vendedor. Estas constatações mostram que capacitar estes profissionais para que incentivem o hábito da leitura pode ser uma ótima alternativa na conquista de novos leitores.

Quais são as principais demandas do segmento tanto para ampliar sua presença na economia do livro como para aproximar livros e leitores em potencial?
Temos alguns gargalos que, solucionados, resultarão no aprimoramento e crescimento do nosso segmento. Primeiro, a falta de vendedor capacitado para a venda do livro. Como recrutar e treinar vendedores é um processo demorado, complexo e bastante oneroso. Muitas empresas, ao longo dos anos, deixaram de exercer esta importante atividade e passaram a, simplesmente, distribuir produtos a vendedores já formados pelo mercado. Em segundo lugar, temos outro problema muito sério que é a inadimplência. A informalidade, própria do setor, abre muito o flanco das empresas para aqueles que, por qualquer razão, não cumprem suas obrigações. É óbvio que um quadro como este acaba produzindo uma altíssima taxa de inadimplência que, muitas vezes, provoca até o fechamento das empresas que não suportam o prejuízo. A dificuldade em ser recebido pelo cliente é outro grande problema apontado pelos vendedores, principalmente nos grandes centros onde a falta de segurança provoca o receio das pessoas em receber um desconhecido em sua casa. Tendo em vista estes fatos, a ABDL vem atuando em várias frentes em busca de soluções. Encaminhamos um projeto para o Ministério do Trabalho e Emprego para formar vendedores através dos Planos Setoriais de Classificação, com verbas do FAT (Fundo de Assistência ao Trabalhador). Este projeto recebeu o sugestivo nome de Planseq – Agentes de Leitura. Apesar de já ter sido tecnicamente aprovado pelo Ministério há mais de dois meses, estamos ainda no aguardo da audiência pública que formalizará o convênio ABDL/Ministério e dará início aos cursos. Quanto às questões de inadimplência, acabamos de assinar um convênio com a Redecard para disponibilizar um sistema, o Foneshop, que transformará o celular do vendedor em uma máquina para receber as vendas através de cartões de crédito de maneira prática, eficiente e segura. O plano será oficialmente lançado na XVI Convenção dos Difusores de Livros, que acontecerá no dia 9 de Setembro no Rio de Janeiro. Finalmente, para valorizar e dar mais visibilidade ao trabalho dos vendedores de livros, a ABDL investiu em uma grande campanha publicitária, para ser veiculada nacionalmente em revistas, jornais, rádios e televisão. Este projeto também visa difundir o livro e leitura e também será apresentado em nossa XVI Convenção no Rio de Janeiro.

Qual a posição da ABDL sobre o Fundo Pró-Leitura?
Defendemos o recolhimento para o fundo através da Cide do livro não só para cumprir o acordo firmado quando da desoneração do Pis-Cofins, mas também porque consideramos fundamental a formação do fundo para obter os recursos necessários para financiar as ações em prol do livro e da leitura. Estado e iniciativa privada possuem responsabilidades para com a garantia dos direitos ao acesso de toda a população ao livro e a leitura e devem atuar em regime de colaboração. Um projeto verdadeiramente eficiente exige muitos recursos para seu planejamento, qualificação, execução e acompanhamento. Investir na ampliação da base de leitores é, por si só, um ato inteligente e necessário tanto pelo lado econômico como pelo social. Pelo lado econômico, quanto maior o número de leitores, maior será a demanda de livros. Pelo lado social, quanto mais difundido o hábito da leitura, mais cidadãos culturalmente desenvolvidos e, consequentemente, mais indivíduos conscientes de suas responsabilidades para com o País.

Fonte: Brasil que Lê – Agência de Notícias

Luis Antonio Torelli, presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL)


Torelli para a Panorama

Ranking dos maiores revela pujança do porta a porta

Sem dúvida, a divulgação dos dados da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em acordo com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL), revelou ao grande público uma faceta surpreendente do mercado livreiro. A venda porta a porta de livros, que para muitas pessoas que vivem nas grandes metrópoles evoca lembranças do passado, mostrou que está presente sim e gozando de muita saúde em nosso país.

Sua participação, que em 2006 tinha sido de 5,43% em número de exemplares vendidos, saltou para 9,61% em 2007, ostentando uma variação de 91,37% em comparação ao mesmo período do ano passado. Ao dobrar sua participação, ele se tornou o terceiro maior canal de comercialização de livros do país. O primeiro continua sendo as livrarias (47,69%); o segundo, as distribuidoras (21,58%) e os canais restantes respondem por 21,12% do total.

Embora o número de leitores no Brasil continue acanhado quando comparado ao dos países desenvolvidos, o desempenho do porta a porta surpreende e, ao mesmo tempo, confirma a estratégia de compensar este cenário desfavorável com a busca pelo consumidor e pelo novo leitor. A criatividade é a principal ferramenta empregada por mais de 30.000 vendedores espalhados por todo o País para convencer consumidores, principalmente das classes C e D, a comprar livros, valendo-se de um atendimento diferenciado e personalizado capaz de tornar o livro um objeto de desejo.

É uma vitória para o porta a porta manter-se tão bem e por tantos anos em um ambiente tão desfavorável e ainda conseguir expandir seus negócios. E quanto ao futuro? Não podemos ignorar os efeitos das turbulências atuais do mercado financeiro e as ondas de impacto que estão por vir, mas a expectativa para este ano ainda é de crescimento. Uma vantagem preciosa desse setor sobre a concorrência é que, além de estar capitalizado, ele financia seu negócio com recursos próprios. Dispondo de um exército de vendedores que diariamente vai ao encontro do cliente onde quer que ele esteja, ele é pró-ativo e não depende como os outros segmentos da visita oportuna do cliente em seus estabelecimentos físicos e/ou virtuais.

Esta constatação reforça ainda mais as ações que estamos desenvolvendo para o futuro. Através da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), entidade que representa o setor porta a porta, apresentamos ao Ministério do Trabalho e Emprego um projeto para recrutar e qualificar inicialmente 2.000 vendedores de livros em todo o Brasil. Batizado de PLANSEQ – Agente de Leitura (Plano Setorial de qualificação), este é um convênio entre a ABDL e o Fundo de Assistência ao Trabalhador (FAT) que será financiado com os recursos orçamentários do exercício de 2009 e tem por objetivo oferecer às empresas associadas profissionais capacitados, atualizados, com visão estratégica e empreendedora que lhes possibilitem ampliar suas atuações no mercado. Além disso, visando abrir uma nova opção de crédito aos nossos clientes e minimizar a inadimplência, apresentamos em 2008 um projeto para disponibilizar um cartão de crédito com forte apelo cultural que lhes será oferecido pelo vendedor. Este cartão, que já recebeu aprovação da bandeira VISA, é mais uma novidade entre tantas que estamos prospectando.

O aumento do número de vendedores, a melhor qualificação destes profissionais, produtos diferenciados e de qualidade, controle da inadimplência em níveis aceitáveis e a manutenção do padrão de renda das classes C e D vão promover o crescimento desse segmento como um todo, inclusive pela adesão de novas empresas. O gestor moderno deve perceber este momento favorável e tentar acompanhar o mais rápido possível as mudanças nesse mercado tão promissor, pois à medida que o consumidor moderno se torna mais informado, ele tende a exigir formas de comercialização mais flexíveis, preços mais alinhados à sua realidade e a melhoria da qualidade dos produtos. A vista destas realidades, independentemente dos efeitos da crise externa, continuamos muito otimistas e esperamos que as vendas no porta a porta sigam o ritmo observado nos últimos anos.

Luis Antonio Torelli, presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL)