Na contramão da crise, segmento de porta a porta cresceu em 2015

Todos os anos, a ABDL (Associação Brasileira de Difusão do Livro) realiza uma pesquisa junto a seus associados para traçar um perfil das empresas e dos trabalhadores das vendas diretas e de porta a porta no Brasil. A entidade acaba de divulgar os resultados da pesquisa de 2015 e deve, com isso, encerrar a temporada de pesquisas anuais sobre o mercado editorial e livreiro no Brasil. De acordo com a apuração da pesquisa, o setor faturou, em 2015, R$ 1.520.693.823,48. Esse número representa um crescimento do setor porta a porta na ordem de 12,31%, acima da inflação que em 2015 foi de 10,67%.

É um movimento que segue na contramão do mercado tradicional de livros. A pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, divulgada ontem, aponta que as vendas de livros, no geral, apresentaram queda real — considerando a inflação no período — de 12,60%. “Estamos vivendo uma migração de mercado. Se você observar, as editoras tradicionais estão indo para esses canais que são mais próximos de onde o leitor está”, observa Leandro Carvalho, presidente da entidade. “Historicamente, não temos problemas com crises. Quando há crises, todos acabam correndo para o porta a porta. O nosso mercado encontra caminhos, está sempre buscando canais para vender os livros. Se se fecha uma porta, nossos profissionais abrem uma janela; se em um canal, não estão vendendo, eles buscam outros”, concluiu. Leandro observa ainda que essa migração levou a um aumento significativo na base de respondentes, o que influenciou de forma significativa para o aumento entre 2014 e 2015.

A maioria das vendas feitas pelo segmento do porta a porta foi realizada nas capitais da região Sudeste. Nessas áreas, as empresas declararam ter faturado R$ 191,8 mil. Nas regiões Norte e Nordeste, áreas menos atendidas pelo varejo tradicional, o segmento faturou R$ 171 mil. Os crediaristas, profissionais e empresas que estão mais diretamente ligados aos consumidores finais, declararam que os principais canais de vendas de livros são ainda as visitas domiciliares , seguido por visitas a escolas e telemarketing.

Leandro observa ainda que houve um aumento na participação dos livros infantis. “A emergência dos livros infantis chamou a nossa atenção. Livros de literatura infantil sempre tiveram importância no segmento, mas nunca tiveram uma participação tão grande quanto em 2015”, pontuou. Em volume, foram vendidos 46,9 milhões livros. Desses, 33,6 milhões foram na categoria de livros infantis.

Além dos números, a pesquisa pediu aos associados que fizessem um balanço do ano. Quase 80% dos respondentes declararam que 2015 foi um ano de mudanças, que exigiu uma série de ajustes nas estratégias das suas empresas. Quase 70% declararam que foi um ano melhor do que 2014 e 51% falaram que foi um ano de espera para definir novos rumos.

Fonte: PublishNews, Leonardo Neto, 2/6/2016